domingo, 16 de novembro de 2014

PES 2015

Para muitos fãs de futebol, a briga entre FIFA e PES já acabou há um bom tempo. Tanto pela questão da jogabilidade quanto pelos recursos, cada jogador escolheu seu favorito e vem mantendo a tradição com as novas sequências.
Ao que tudo indica, até agora o título da EA estava na vantagem. Não que o título da Konami não tenha apresentado inovações, mas alguns deslizes — alguns bobos, mas outros bem sérios — estavam impedindo que a desenvolvedora japonesa pudesse marcar os três pontos.
Mas talvez essa história possa mudar daqui pra frente, ao menos no que depender das inovações presentes em Pro Evolution Soccer 2015. É claro que o falatório não é de hoje, mas a entrada na nova geração é um passo importante, e até decisivo, para que a Konami saiba como vai rolar a bola daqui pra frente.
Nós testamos o jogo durante alguns dias, experimentando cada tipo de campeonato, conhecendo os novos recursos, conferindo os principais times, testando diferentes tipos de lances, analisando de perto as movimentações da inteligência artificial e, claro, analisando como o conjunto da obra se apresenta para o jogador.

Antes de entrar nos detalhes, quero deixar claro que esta análise é sobre o PES 2015, portanto não espere comparações com FIFA 15. Algumas considerações sobre a evolução da série fazem parte desta análise, mas é importante adiantar que, acima de tudo, este texto é sobre o novo título, por isso vou focar nas novidades e nos recursos deste game. Sem mais delongas, vamos rolar a pelota!

Elevando o nível de dificuldade

Fica evidente que a Konami fez um trabalho bem equilibrado aqui, atendendo a muitos dos pedidos dos fãs e retomando o espírito da série. O título apresenta algumas melhorias na dificuldade (a inteligência artificial não é mais tão bobinha) e provavelmente vai forçar os novatos a capricharem no treino para conseguir avançar nos torneios.
O game apresenta um balanço entre simulação e o estilo arcade. Ele ainda continua rápido, mas agora exige um pouco mais de empenho, forçando o jogador a driblar e utilizar táticas baseadas na formação. Basicamente, acabou aquela história de sair correndo em direção ao gol e marcar vários pontos na moleza.
Ainda que o jogo não traga comandos realmente inovadores, o modo de tutorial pode ser uma opção viável para todos, já que é possível obter algumas dicas que podem fazer a diferença na hora das partidas e treinar os chutes, visto que sempre há alguma alteração no modo de cobranças de faltas, cruzamentos e coisas desse tipo.
Na hora das partidas, seja contra a máquina ou ao enfrentar uma pessoa, os dribles e comandos manuais podem ajudar muito. A Konami valorizou esse tipo de recurso, o que deve garantir um futebol mais bonito e verdadeiro. O sistema de flechas para toques livres ainda está presente, o que facilita a vida de quem já usava esta funcionalidade no PES 2014.
Sobre a inteligência artificial, podemos elogiar os jogadores, mas temos que ressaltar que os goleiros ainda são frangueiros. Parte das falhas na defesa são propositais, já que a ideia é imitar a realidade, sendo que o goleiro pode acabar pulando para o lado errado. É interessante que mesmo com esses problemas, as partidas dificilmente acabam em goleadas.

MyClub é o recurso que faltava no PES

Para algumas pessoas, o futebol é apenas a experiência em campo, mas há quem prefira levar a jogatina para fora do gramado. Com o MyClub, a Konami consegue proporcionar a experiência completa do esporte bretão com toda sua modernidade. Agora, o jogador pode trilhar seu caminho com um time único.
Primeiro, é preciso selecionar uma equipe básica — o que garante que a narração funcione e que você tenha uniforme — e contratar um técnico responsável pela sua carreira. Depois, você deve escolher um empresário que tenha influência e seja capaz de conseguir jogadores experientes para levar sua equipe adiante.
Além disso, você fica responsável por montar a formação, gerenciar as táticas (de ataque e defesa) e garantir o entrosamento entre seus atletas. Após ter tudo isso definido, você pode começar a enfrentar os adversários, que pode ser o computador ou jogadores de todo o globo.
Ao conquistar vitórias, empates e realizar proezas em campo, você ganha moedas que pode utilizar para melhorar sua equipe e ir subindo no ranking mundial. A ideia, obviamente, é estimular a competição, o que funciona muito bem. Este é o recurso que faltava e que faz muita diferença no PES 2015.

Gráficos de nova geração

A FOX Engine já se mostrava promissora na geração anterior, mas é na nova geração que ela mostra todo seu esplendor. A modelagem de personagens está ainda melhor (algo notável principalmente nos replays, em que podemos aproximar a câmera e observar todos os detalhes) e as texturas, pelo menos dos uniformes, imitam a realidade com maestria.
Ao se jogar na grama, os uniformes e chuteiras ficam sujos (veja na imagem abaixo), algo que acontece de forma aleatória, evitando o uso de modelos prontos que deixariam o jogo com uma cara bem genérica. As animações estão mais naturais, o que podemos notar tanto durante a entrada dos atletas no estádio quanto durante a jogatina. A interação entre personagens é natural e são raras as situações em que os objetos colidem de forma bizarra.
Os estádios não parecem ter sofrido grandes mudanças, mas eles já eram muito convincentes, então não há problemas nesse sentido. As torcidas estão mais participativas e a modelagem dos fãs que ficam gritando nos estádios melhorou muito. O campo não é mais apenas um piso bruto pintado de verde, sendo possível inclusive definir a altura do gramado.
Uma das grandes novidades é a jogatina com o clima chuvoso. Esse recurso que ficou faltando na versão anterior — por conta de alguns inconvenientes da engine com os consoles antigos — é mais do que bem-vindo, já que dá mais realismo e dificulta a jogatina. A chuva é realista, aparecendo em intervalos e com intensidade diferenciada. O campo, contudo, não fica encharcado, mas certamente fica mais liso.
O esquema de iluminação do PES 2015 segue um pouco aquilo que já vimos no antecessor. A entrada dos raios solares em campo é natural e imita muito bem o que vemos na televisão, com regiões mais saturadas e algumas sombras bem realistas. Há diferenças quando temos a chuva atuando, pois o jogo fica um pouco mais escuro, mas isso, de forma alguma, prejudica a jogatina.
Unindo todos esses aspectos, temos um jogo muito bonito para ver de longe e de perto. A grande vantagem, contudo, não é a modelagem ou as texturas, mas sim a fluidez notável nas plataformas mais recentes.
Certamente, os gráficos ainda estão muito longe da realidade, sendo que alguns podem até criticar o aspecto “de massinha” dos rostos dos personagens. É preciso colocar aqui, contudo, que estamos tratando de um jogo que trabalha com 22 jogadores em campo, o que limita um pouco as opções nesse sentido.
Basicamente, há uma evolução nítida, que deve agradar aos fãs e impressionar os críticos que desmerecem os belos gráficos criados pela Konami. Deixo claro que cada um pode ter suas críticas, mas que é preciso ter embasamento — ou seja, é bom você testar antes de falar mal — e criticar com argumentos verdadeiros, já que o trabalho executado em PES 2015 apresenta qualidade.

O velho problema de licenças

Um dos grandes entraves para que Pro Evolution Soccer possa se sobressair ao concorrente é justamente a falta de licenças oficiais para representação dos times dentro do jogo. Isso já aconteceu no passado e se repete em PES 2015. Há diversos times internacionais e brasileiros que estão ali apenas para constar, pois as representações ficaram bem desconexas e o jogador não tem como ir muito adiante sem editar os times.
No caso das equipes do Brasil, apenas quatro times (Corinthians, Cruzeiro, Figueirense e Palmeiras) estão quase de acordo com a realidade. Esses foram os clubes que aceitaram o contrato com a Konami e trazem escalações com nomes verdadeiros — ainda que estejam desatualizadas.
Os uniformes e brasões estão corretamente representados, mas dá uma preguiça editar o nome de todos os jogadores para poder brincar com os demais times. É bom frisar que além de todos os times da série A, o PES 2015 ainda tem o Vasco da Gama como adicional, o que é excelente para os fãs do time.

Seus torneios favoritos estão aqui

Quem sempre curtiu Pro Evolution Soccer devido à diversidade de ligas e times, certamente vai adorar saber que o novo jogo também está completíssimo nesse sentido. Ainda que não tenhamos a segunda divisão de alguns países (como o Brasil), as tantas opções de campeonatos certamente garantem infinitas horas de jogatinas.
Você pode escolher entre: UEFA Champions League, AFC Champions League, Copa Total Sudamericana, Liga Inglesa, Liga Italina, Liga BBVA, Ligue 1, Eredivisie, Liga de Portugal, Liga do Brasil, Primera División, Liga PDII, Liga PEU, Liga PLA, Liga PAS, Segunda Divisão Inglesa, Liga Adelante, Ligue 2, Segunda Divisão Italiana e outros times europeus.
Além de todos os campeonatos com participação ativa, você ainda pode aproveitar a Master Liga e controlar seu time como técnico, realizando negociações de jogadores, dando instruções e acompanhando as partidas em tempo real. Se for pensar bem, esse modo já consagrado é como uma versão simplificada do MyClub, mas que ainda pode ser interessante para quem curte desenvolver o papel apenas de técnico.

Disputas online e sonoridade de qualidade

Se você achava que o modo online do PES 2014 já estava bom, possivelmente vai se surpreender com os resultados que a Konami atingiu no novo game da franquia. Seja no MyClub ou em partidas amistosas contra um jogador (infelizmente não pudemos testar o modo multiplayer que suporta até 22 jogadores, pois os servidores estavam vazios), não tivemos problemas graves de jogabilidade.
Em apenas duas situações presenciamos pequenos lags, os quais foram indicados por uma barrinha que indicava lentidão em nossa conexão local. As respostas dos comandos apresentam atraso mínimo e a movimentação dos adversários acontece de tal forma que temos a impressão de que a jogatina é local. Nossa experiência foi satisfatória e acreditamos que a Konami acertou nesse sentido.
A narração do jogo continua ótima, com os comentários bem pensados de Silvio Luiz e Mauro Beting. Para o PES 2015, os dois profissionais mudaram um pouco o falatório, dando novo fôlego às partidas que já estavam cansativas com as mesmas conversas. A trilha sonora do jogo está recheada de músicas recentes e muito boas, o que deixa o clima descontraído no pré-jogo.

É pior ou melhor que o PES 2014?

Sinceramente, na opinião deste humilde redator, Pro Evolution Soccer 2015 apresenta melhorias nítidas se comparado ao seu antecessor, ainda que isso não implique que ele será o melhor para todos os fãs da série — já que cada jogador tem suas preferências e pode perfeitamente discordar de vários aspectos apontados nesta análise.
Em questão de gráficos, a FOX Engine surpreende, já que está mais madura e apresenta avanços preciosos na nova geração. Na jogabilidade, o game está mais difícil e coerente com a realidade, mas tem essa pegada diferenciada sem distanciar tanto do velho estilo arcade.
A diversidade de times, bem como os tantos modos de jogo são características importantes, que garantem ao jogador boas razões para permanecer jogando por vários meses. O modo MyClub é o grande destaque e certamente coloca o título para brigar com seu principal concorrente.
Levando tudo isso em conta, é possível que você esteja se perguntando o motivo para que PES 2015 receba uma nota inferior (você vai ver logo abaixo a nota do jogo) a que foi dada para PES 2014. Bom, é preciso esclarecer que estamos tratando de momentos diferentes, considerações diversas e redatores com opiniões distintas, as quais são baseadas em inúmeras experiências.
A nota final atribuída ao PES 2015 não é baixa e está justíssima. Deixo claro ainda que este número é apenas um parâmetro de referência para se ter uma noção da qualidade geral do jogo. A nova versão da franquia está muito boa e vai surpreendê-lo. Basta você dar uma chance e verá que as peladas do novo Pro Evolution Soccer estão sensacionais!

Assassin´s Creed Rogue

A proposta de Assassin’s Creed Rogue pode passar a falsa impressão de “rescaldo” — de raspa de tacho destinada a apenas soltar um último sopro de novidade sobre a geração anterior de consoles. E isso provavelmente é reforçado pelo lançamento praticamente simultâneo do game com o extremamente aguardado Assassin’s Creed Unity, este sim, totalmente novo e com os olhos fixos no horizonte da oitava geração.
Honestamente? Bem, a despeito de Unity, pode-se dizer que nada poderia ser mais equivocado. Sim, é verdade que Rogue não navega para muito longe das praias conquistadas pela franquia da Ubisoft ao longo de sete anos de uma história bem contada. Mas, quer saber? Isso parece ter feito muito bem ao título.
Particularmente, sempre fui fã daqueles últimos títulos lançados em plataformas que acenam em longas despedidas. Isso porque, em vez de tentar surpreender público e crítica com novidades rodeadas por fogos de artifício, as desenvolvedoras normalmente apresentam títulos mais focados, mais direto ao ponto — e, frequentemente, mais destinados àqueles jogadores que podem ter sido conquistados pela pirotecnia um dia... Mas que gostariam, em certo ponto, de enxergar uma evolução e um requinte naturais em uma série favorita.
E, sim, esse é Assassin’s Creed Rogue. Amplamente baseado em uma fórmula já entalhada em pedra — mesmo no que tange as batalhas navais —, a ideia da Ubi aqui foi a de mostrar um game maduro, a de explorar o arco de histórias complexo e incrivelmente rico de Assassin’s Creed.

O mais “cinzento” dos assassinos

No centro dessa experiência dramática e, em certa medida, mais adulta, certamente se encontra o protagonista Shay Patrick Cormac. Se os assassinos de games anteriores lhe pareciam anti-heróis rematados, então com certeza convém que você acompanhe de perto a história do Sr. Cormac.
Como você já deve saber a esta altura, Shay é um assassino que se vê forçosamente convertido em templário por uma sucessão de eventos que lhe fizeram questionar os métodos do seu grupo. Ocorre, entretanto, que um resumo assim jamais poderia recriar todo o processo dramático pelo qual passa esse assassino tão peculiar.
De fato, Shay escapa logo de cara de qualquer estereótipo do herói à margem da sociedade. Movido por ideias próprias, este personagem incrivelmente bem assentado mostra uma evolução das mais convincentes entre todos os títulos da franquia. Sua leveza inicial e seu pouco comprometimento com regras e treinamentos insinuam logo de cara, entretanto, a existência de um espírito livre e questionador.
Dessa forma, quando Shay finalmente “vira a casaca” e resolve defender aquela famosa cruz, a quem acompanhou a história, tudo parece incrivelmente natural. Trata-se, sem dúvida, de um dos personagens mais fortes e mais coerentes que já surgiram em um Assassin’s Creed.

O preço de seguir o próprio instinto

O caráter forte de Shay é também um dos principais ingredientes para a história efervescente de Assassin’s Creed Rogue. Sem querer disparar spoilers aqui, a trama dramática desse último esforço da série na sétima geração é pontuada por reviravoltas e por decisões moralmente difíceis — conforme os velhos amigos se tornam subitamente novos inimigos.

Herdeiro direto de Black Flag e de AC 3

Se você jogou Assassin’s Creed: Black Flag e/ou Assassin’s Creed 3, então certamente vai se sentir em casa aqui. De fato, em termos de jogabilidade não há diferenças tão significativas. Dessa forma, a ação toda ainda será dividida entre manobras furtivas, ataques diretos, combates navais e administração de locais conquistados por todo o mapa.
Mas nunca é demais reforçar: antes de representar uma estagnação, a escolha da Ubisoft de manter o excelente sistema de Black Flag e AC 3 mostra, antes, um deslocamento muito bem vindo do eixo para o objetivo de contar uma boa história (confira acima).
Dessa forma, o fato de os movimentos de Shay levarem grande parte dos jogadores para um terreno familiar faz com que a sua história dramática e bem calcada ganhe o destaque que merece. Ademais, há aí também Unity, notadamente para dar o que se espera que seja o “próximo” passo na jogabilidade da série — o que torna ambos os títulos notavelmente complementares.

Rostos conhecidos

Mas a familiaridade de Rogue também deve se revelar em outro ponto: quem jogou títulos anteriores da série (sobretudo Black Flag e AC 3) deve ganhar de lambuja aqui diversas referências — daquelas que nos fazem disparar “Ah!, eu sei ao que ele fez menção aí!”.
Com sua trama localizada entre os anos de 1752 e de 1761, Rogue, naturalmente, torna-se, em parte, contemporâneo de Black Flag por exemplo. Portanto, espere para encontrar rostos conhecidos, cujas histórias de vida devem ganhar alguns parênteses bem... Interessantes. Destaque, é claro, para certo Edward Kenway e também para o altivo Achilles.

Novos movimentos

Não, realmente não há uma nova jogabilidade aqui. Conforme dito anteriormente, há a mesma boa mecânica de jogo que conquistou legiões de assassinos mundo afora, sobretudo com Black Flag e com Assassin’s Creed 3.
Entretanto, Shay tem algum estilo próprio. Talvez a principal adição aqui sejam os saltos entre paredes, levando rapidamente o assassino/templário até o topo de estruturas estreitas (exatamente como sempre fez o bom e velho Ninja Gaiden).
Vale nota aqui também para o bom retorno dos dardos de Edward Kenway, novamente com duas munições à disposição — sendo possível colocar os inimigos para dormir ou torná-los irremediavelmente insanos, de forma que passem a atacar os próprios companheiros.

Os Templários têm os melhores brinquedos

A despeito das questões pessoais que levaram Shay a se juntar aos Templários, fato é que há pelo menos uma recompensa de cunho prático para essa escolha: os armamentos. De fato, os Templários têm um arsenal respeitável — e você, como novo membro improvável, acaba por ganhar acesso a esses recursos.
Há, por exemplo, um lançador de granadas que, embora bastante primitivo, certamente faz um belo estrago — incluindo munições de fumaça e de estilhaços. A associação com os sujeitos da cruz também traz armamentos de ponta para o seu navio, o Morrigan.

A inteligência artificial às vezes pena

Diante da boa história e da amplidão do mundo de Assassin’s Creed Rogue, é até difícil não fazer vista grossa para a forma como alguns dos habitantes destes EUA revolucionários se portam no seu dia a dia. Ocorre, entretanto, que às vezes a coisa é realmente cômica — chegando a diminuir a seriedade de tudo, mesmo que apenas por alguns momentos.
Em certa ocasião, por exemplo, este redator se deparou com vários soldados franceses disparando contra alvos estofados, a fim de treinar. Após derrubar dois deles e causar alguma comoção no terceiro... Percebi que o sujeito simplesmente se convenceu de que o melhor seria ignorar o fato e continuar a praticar tiro ao alvo.
Ademais, também não são raros os momentos em que soldado atrapalhado acaba preso em uma única rota, repetindo estupidamente o mesmo movimento até que você resolva “livrá-lo” da sua miséria.

O rápido e elegante Morrigan

O navio Morrigan é obtido por Shay logo no início da trama, após uma sequência de desventuras. Embora esteja um tanto “judiado” inicialmente, é fácil perceber logo de cara que a Ubi andou apertando algumas porcas das batalhas navais de Assassin’s Creed.
O Morrigan é notavelmente mais rápido e mais controlável do que o navio de Edward Kenway. E, é claro, pode ser todo armado com munições variadas, podendo ainda despejar óleo flamejante da sua traseira. Adicionalmente, um último estágio de velocidade deve ajudar a cobrir espaços maiores — embora seja impossível efetuar disparos nesses momentos.

Um belo fechamento para a sétima geração

Assassin’s Creed Rogue certamente é mais do que apenas um último esforço dos Assassinos na sétima geração de consoles. Embora a familiaridade com Black Flag e Assassin’s Creed 3 possa sugerir aos desavisados “mais do mesmo”, bastam os primeiros contatos com a história dramática e “cinzenta” do dividido Shay Patrick Cormac para perceber que há muito mais aqui.
Por trás da familiaridade de mecânicas consagradas — incrivelmente funcionais e enxutas —, há uma bela história cheia de segredos, rostos familiares e novos parênteses para tramas que muitos acreditavam que já estavam fechadas. Paralelamente, as adições sutis às manobras de combate corporal e naval apenas tornam mais evidente o trabalho persistente da Ubisoft ao forjar uma jogabilidade stealth que beira a perfeição.

Isso tudo enquanto Rogue ainda deixa claro que a engine AnvilNext ainda tem muito gás para dar, trazendo ainda belas imagens e dinâmicas de iluminação, mesmo em um período tardio da sétima geração. Enfim, um Assassin’s Creed enxuto, objetivo e com uma belíssima história cheia de reviravoltas. Pode mesmo valer a pena se juntar ao front dos Templários, afinal.

The Wolf Among Us

Embora a Telltale já esteja produzindo adventures desde 2005, foi somente com o lançamento de The Walking Dead, em 2012, que a empresa se tornou realmente conhecida. Explorando a história criada por Robert Kirkman de maneira genial, o título publicado em capítulos chamou a atenção tanto do público quanto da crítica especializada e foi eleito por diversos veículos como o game do ano.
 
Com The Wolf Among Us, o estúdio volta a explorar o mundo dos quadrinhos adultos, desta vez se inspirando em Fábulas, de Bill Willingham. Apresentando uma trama que se passa anos antes do início da HQ, o jogo nos coloca no papel de Bigby Wolf, um detetive encarregado de solucionar um misterioso assassinato que põe em risco a segurança de toda a comunidade mágica que vive na cidade de Nova York.
Faith, o primeiro dos cinco capítulos programados pela Telltale, serve como introdução para a trama e nos apresenta a diversos personagens que possuem diferentes graus de importância durante a história — mais do que apresentar uma resolução para conflitos, o lançamento tem o objetivo de nos convencer a entrar no universo criado por Willingham e ficar lá durante os meses em que o estúdio leva para terminar de contar sua história.
APROVADO
Video game ou quadrinho?
O primeiro ponto que chama a atenção em Wolf Among Us - Episode One: Faith é a sua apresentação. Embora o game utilize uma versão ligeiramente aprimorada da engine de The Walking Dead (o que significa que ele não é um primor em quesitos como animação ou quantidade bruta de polígonos), a direção de arte empregada pela Telltale faz com que seja fácil diferenciar facilmente as duas séries.

Empregando cores berrantes que ajudam a dar um clima noir ao jogo (graças ao contraste que elas proporcionam) combinadas aos traços grossos que contornam os personagens, o game se aproxima muito do visual de um quadrinho. A semelhança é tanta que, em alguns momentos, fica difícil diferenciar quais elementos são construídos em polígonos e quais não passam de simples texturas bidimensionais empregadas como plano de fundo.
Aliado aos design de personagens competente visto em Fables, isso resulta em um título bastante agradável visualmente e com uma identidade própria bastante evidente. O trabalho só não chega a ser perfeito graças a problemas relacionados às animações dos personagens, que se mostram muito robóticas em alguns momentos, proporcionando algumas transições estranhas em alguns momentos (especialmente nas cenas de combate).
Não lê os quadrinhos? Isso não é problema
Embora seja baseado em uma história de quadrinhos de sucesso, The Wolf Among Us —  Episode One: Faith, não é preciso acompanhar a publicação da Vertigo para entender o que está acontecendo (embora isso enriqueça a experiência). Na verdade, tudo o que você precisa saber sobre o universo do jogo é explicado em três frases curtas que abrem a aventura.

Há centenas de anos, as criaturas pertencentes às centenas de reinos que constituíam o mundo das fábulas se viram obrigadas a buscar refúgio na realidade graças à ação de um inimigo misterioso. Os sobreviventes se reuniram em uma pequena comunidade da cidade de Manhattan conhecida como Fabletown, na qual residem as criaturas capazes de assumir formas humanas — seja naturalmente ou através de feitiços conhecidos como “glamours”.
Já aqueles que possuem formas pouco adaptadas ao mundo real vivem em um local conhecido como A Fazenda, encarada por muitos como uma prisão. Nesse cenário, você assume o papel de Bigby Wolf, o famoso Lobo Mau (da fábula dos “Três Porquinhos” e do conto da “Chapeuzinho Vermelho”) que, arrependido de seu passado, agora atua como agente da lei em meio à comunidade das fábulas sobreviventes.
Um mistério a solucionar
A principal diferença entre The Walking Dead e Wolf Among Us é a maneira como a trama dos dois games se desenvolve. Enquanto no primeiro há sempre uma sensação de aflição graças à ameaça iminente proporcionada pelos mortos-vivos, o segundo permite que você tome seu tempo investigando os ambientes, se aproximando muito dos adventures lançados durante a década de 90.

Faith ganha pontos ao introduzir o problema principal de sua trama aos poucos, usando os elementos que tem à sua disposição para aprofundar o relacionamento entre os personagens e para apresentar subtramas cuja importância nem sempre fica clara em um primeiro momento — algo que ajuda a aumentar o impacto que a cena final tem sobre o jogador (cujos detalhes me recuso a revelar).
Infelizmente, a característica episódica do game da Telltale impede uma avaliação mais completa do roteiro, visto que ele deixa diversas pontas soltas que só devem ser desenvolvidas nos próximos capítulos. Levando em consideração essa limitação, a trama exibida pela empresa não decepciona, apresentando elementos o suficiente para que você fique satisfeito ao mesmo tempo em que fica ansioso para descobrir mais detalhes sobre o que está acontecendo.
Escolhas ilusórias que valem a pena
Uma das principais críticas feitas a The Walking Dead era o fato de que, apesar de o jogador fazer diversas escolhas durante sua trama, em âmbito geral muitas delas possuíam pouco impacto no resultado final. Embora a mesma sensação permaneça em The Wolf Among Us, o jogo consegue dar mais motivos para você reiniciar a jogatina e optar por caminhos diferentes.

Isso fica especialmente evidente em duas cenas de Faith, nas quais é preciso optar por dois caminhos bem diferentes entre si. Dependendo de sua escolha, personagens podem morrer ou continuar vivos, o que acaba tendo um grande impacto na maneira como a investigação de Bigby prossegue.
O que é mais interessante nesses casos é o fato de que, dependendo do que você escolher, evidências podem ser alteradas e diálogos inteiros podem mudar. Assim, a única maneira de montar completamente o quebra-cabeça apresentado pela Telltale é criando pelo menos dois saves, cada um deles dedicado a seguir um dos caminhos bolados pela empresa.

Embora nesse estágio tudo indique que, independente de suas opções, Bigby sempre vai resolver o mistério, as diferenças entre os caminhos seguidos é evidente. Com isso, fica a sensação de que você realmente está construindo sua história própria dentro do jogo, por mais que ela fique limitada pelas escolhas determinadas pelos desenvolvedores.

Tropico 5

Lançado no último dia 23 de maio, Tropico 5 é o mais novo título da franquia da Kalypso que coloca os jogadores na pele de um governante de um pequeno país insular caribenho. Desta vez, no entanto, além de ter como objetivo manter-se no poder pelo maior tempo, a série recebe um novo sistema de dinastias que permite aos seus sucessores a possibilidade de assumir postos públicos e até mesmo a ilha. Desse modo, a franquia acaba adicionando de maneira interessante a sucessão hereditária tão típica nos regimes ditatoriais.

Apesar de ter cara de ser um grande gerenciador com a temática tropical, Tropico 5 (assim como seus antecessores) pode ser descrito como um simulador, pero no mucho. No caso, as estatísticas e os índices típicos do gênero estão todos lá, sendo necessário manter cidadãos felizes e conter tensões políticas para evitar golpes de estado ou derrotas eleitorais. No entanto, Tropico preocupa-se mais em apresentar tudo isso de maneira bem-humorada e rápida para o jogador em vez de se preocupar em oferecer cada minúcia dessas informações.
Isso não significa que o jogo seja limitado ou ofereça poucas opções. A adição de um sistema de eras semelhante ao de Age of Empires, por exemplo, faz com que o jogador comece como um governador de uma versão colonial de Tropico que ainda responde à Coroa. Nesta época inicial, é necessário pagar impostos para a metrópole e administrar o seu tempo antes que o seu mandato acabe.
Como o objetivo é manter-se no poder, é necessário trabalhar para declarar a Independência do país para finalmente tornar-se o grande El Presidente antes que o seu período de regência acabe. A partir daí, o jogador sai da era colonial e pode avançar para o período das Guerras Mundiais e da Guerra Fria, colhendo os benefícios do progresso tecnológico ao mesmo tempo em que é preciso lidar com novos desafios a cada novo período histórico.

Aprendendo a governar (e a engordar seu caixa dois)

Tropico 5 conta com dois modos single player: um modo sandbox, que permite que você escolha uma ilha para governar durante todo o tempo que você conseguir manter-se no poder, e uma campanha curta com 16 missões que consegue ser bastante eficiente para ensinar todos os recursos do jogo para os jogadores, ao mesmo tempo em que contém uma história recheada com o bom-humor característico da franquia.

Enquanto consegue ensinar de maneira rápida e intuitiva como funcionam os fundamentos do jogo e outros diversos recursos, a campanha também apresenta uma grande mudança que torna tudo mais divertido: a possibilidade de poder acumular o seu progresso a cada missão. Assim, se nos jogos anteriores cada missão começava sempre do mesmo modo, em Tropico 5 tudo o que você realiza nas suas duas ilhas é mantido – algo que torna a experiência muito mais recompensadora.
Além disso, mudanças na interface e nos sistemas tornaram o jogo ainda mais fácil de ser jogado. Se no último título da série era fácil perder-se em meio aos diferentes menus do jogo, uma reorganização geral deixou tudo mais simples. Basta clicar com o botão direito para abrir o menu de construção, com todos os edifícios organizados por categorias práticas.
Já outras opções, como o acesso ao Almanaque (contendo o balanço econômico da ilha e índices como a satisfação de seus moradores) e aos Editos, também se apresentam de maneira prática em uma barra na seção inferior da tela. Graças as suas poucas divisões, é fácil aprender a navegar entre as suas opções e logo qualquer um pode começar a sancionar leis criando novas taxas (destinadas aos fundos privados do Presidente) ou fornecendo refeições extras (e, consequentemente, mais felicidade) para a população.
Ao mesmo tempo, a introdução de uma seção para alterar a Constituição de seu país (disponível a partir da era das Guerras Mundiais) também facilita o seu trabalho ao reunir em um único menu opções que antigamente encontravam-se espalhadas por diferentes edifícios governamentais.

Vizinhança caribenha

Além de dois modos single player bastante divertidos e capazes de entreter por bastante tempo, Tropico 5 também introduz um modo multiplayer à série, no qual até quatro jogadores diferentes podem administrar as suas cidades e escolher entre trabalhar juntos (trocando recursos ou estabelecendo rotas comerciais) ou uns contra os outros.
Apesar de a possibilidade de gerenciar a sua ilha enquanto precisa lidar com outros governantes reais ser muito interessante, a organização das partidas é bastante confusa. Para começar, o lobby inicial não conta com opções básicas, como a possibilidade de expulsar outros jogadores de sua sala ou de verificar o seu ping para garantir que as partidas não se arrastem de maneira travada.
Com algumas mudanças para facilitar a criação de partidas privadas com amigos, o modo multiplayer pode vir a se tornar bastante interessante. No entanto, com o sistema atual, é mais provável que você gaste mais tempo tentando fazer com que as partidas funcionem do que efetivamente jogando.

Vale a pena?

Mantendo o bom humor de sempre, Tropico 5 faz com que a experiência de assumir o papel de El Presidente continue agradável. Enquanto a campanha do jogo é razoavelmente curta, ela consegue apresentar todas as novidades de maneira intuitiva ao mesmo tempo em que mantém um bom nível de desafio mesmo para veteranos.
Apesar da falha do novo multiplayer (que, apesar de contar com uma proposta interessante, é prejudicado pelo seu péssimo sistema de criação de partidas), Tropico 5 ainda é bastante recomendável graças a todo o potencial de seus modos para um jogador. Começar o seu governo tropical do início e manter a sua dinastia reinando por eras é um desafio e tanto – e dos mais divertidos.

Call of Duty: Advanced Warfare

Com Call of Duty: Advanced Warfare, o estúdio Sledgehammer Games tem uma tarefa um tanto ingrata a cumprir. Não somente esse é o primeiro capítulo da série feito inteiramente pela empresa (que já contribui com a franquia desde Modern Warfare 3), como ele tem o objetivo de acabar com a má impressão deixada por Ghosts, um título que parecia prenunciar o “declínio” da série de tiro.
Diante desse cenário um tanto intimidador, o estúdio felizmente conseguiu surpreender e traz uma experiência que, se é inegavelmente um novo Call of Duty, apresenta elementos suficientes para não parecer simplesmente “mais do mesmo”. Para atingir esse objetivo, a desenvolvedora apostou em uma mistura entre mecânicas conhecidas e ideias novas que exploram um pouco o campo da ficção científica, mesmo tendo como base a realidade.
O game tem como cenário o distante ano de 2054, no qual a tecnologia evoluiu ao ponto de termos não soldados, mas “super-humanos” participando de operações militares. Nesse contexto, a megacorporação Atlas surge como um nome de destaque, vendendo seu poderio de ataque e infraestrutura aos países que conseguirem pagar mais por isso.

Futuro utópico

Embora tenha deixado de ser o ponto principal dos games da série Call of Duty há tempos, a campanha de Advanced Warfare surpreende por sua consistência. Mesmo que siga muitos dos preceitos estabelecidos anteriormente pela série (você ainda vai se sentir em meio a um filme de Michael Bay, repleto de explosões e cenas de ação bombásticas), a trama possui novidades suficientes para parecer algo fresco.
A decisão que mais beneficia a narrativa do jogo é o fato de ela se focar em um único personagem: John Mitchell — que é interpretado por e tem as feições de Troy Baker (que deu vida a figuras como Joel, de The Last of Us, e Booker DeWitt, de BioShock Infinite). Sem as mudanças de ponto de vista dos títulos anteriores, fica mais fácil acompanhar os acontecimentos e criar uma empatia com o protagonista.
Após uma missão em solo sul-coreano com desfecho trágico (com direito à perda de seu braço e de seu melhor amigo), Mitchell é recrutado pela Atlas, que concede a ele um novo membro com características mecânicas e diversos “brinquedos” militares de última geração. É a partir desse momento que ele e o jogador se familiarizam com Jonathan Irons, o poderoso e ambicioso CEO da companhia.
Depois disso, a trama segue um caminho familiar a qualquer pessoa que já tenha se aventurado por um capítulo da série Call of Duty — o que não é necessariamente algo ruim. Mesmo que muitas das reviravoltas sejam previsíveis — especialmente se você acompanhou os trailers que precederam o lançamento do título —, a trama se mantém envolvente o suficiente para justificar as 6 horas necessárias para completá-la (período que pode se estender dependendo da dificuldade escolhida). A Sledegehammer construiu um título com um bom ritmo, que apresenta elementos novos em ritmo constante de forma a impedir que o jogador sinta que só está repetindo as mesmas ações do começo ao fim.
Infelizmente, isso traz como contraponto o fato de que várias ferramentas criadas pelo estúdio parecem ser mal aproveitadas. Muitas das habilidades mais interessantes do exoesqueleto de Mitchell surgem de forma restrita, e a impossibilidade de escolher quais delas levar em cada capítulo acaba reduzindo um pouco a variedade de opções disponíveis.
Isso não significa que o título não tenha sua dose de personalização: entre uma fase e outra, você pode usar pontos de experiência para melhorar as características do personagem — entre os exemplos possíveis está aumentar sua quantidade de vida ou acelerar o tempo de recarga de armas. O número de pontos disponíveis para essa tarefa vai depender de seu desempenho em diversas áreas, que incluem desde simplesmente matar inimigos até fazer isso com tiros na cabeça ou usando algum tipo de explosivo.
Mesmo seguindo o velho esquema “atire, se abaixe e repita”, a campanha principal de Advanced Warfare funciona muito bem. Um destaque nesse sentido fica por conta do nível de dificuldade do título, que se mantém equilibrado e evita muitas das mortes “injustas” vistas em capítulos anteriores, optando por checkpoints inteligentes que nunca deixam o jogador à mercê de NPCs difíceis de localizar ou objetivos mal explicados.

Uma caixa cheia de brinquedos novos

A principal novidade de Advanced Warfare, responsável por diferenciar o game do rumo seguido por seus antecessores, é a adição do exoesqueleto usado tanto na campanha principal quanto no modo multiplayer. Esse equipamento permitiu à Sledgehammer “quebrar” as regras da realidade e adicionar alguns elementos que aumentam a diversão e a variedade presentes no jogo.
O dispositivo possibilita ao estúdio romper algumas das características impostas pela física, o que se traduz na possibilidade de usar pulos duplos ou um pequeno impulso para fazer seu personagem se deslocar rapidamente para os lados. Na prática, isso significa um game que aposta mais em cenários verticais, o que muda bastante a maneira como você explora seus objetivos.
Embora isso apareça de maneira limitada na campanha principal (que segue a tendência de restringir a exploração de seus ambientes de forma a criar uma experiência mais direcionada), no multiplayer a história é bem diferente. Aliadas a um design de fases muito bem feito, as novas ferramentas de Sledgehammer criam uma experiência de jogo bastante distinta — mas que ainda assim é, inegavelmente, um Call of Duty.
Se em momento inicial comparações com Titanfall são compreensíveis, basta gastar algum tempo com o jogo para perceber que ele tem uma proposta bastante diferente. Entre os fatores que contribuem para isso está o tamanho limitado dos mapas — mesmo que não exatamente pequenos, os cenários garantem que você dificilmente vai passar muito tempo sem ter que lidar com algum adversário.
O contexto mais futurista adotado pelo game também se traduz em algumas novas opções de equipamento durante o modo multiplayer. Além de usar armas baseadas em lasers, o jogador pode optar por dispositivos como um exoesqueleto mais poderoso como recompensa para seus killstreaks — ou por caixas com novos equipamentos, que são enviadas a determinados pontos do cenário.

Personalização avançada

Advanced Warfare adota o sistema conhecido como “Pick 13”, uma evolução do conceito “Pick 10” que estreou em Black Ops 2. A partir dele, você está livre para configurar livremente seu personagem — contanto que ele respeite o limite de 13 pontos imposto pelo jogo. Como cada habilidade possui requisitos diferentes, cabe ao jogador “fazer as contas” para determinar qual combinação funciona melhor para ele.
Isso significa que, na prática, é possível criar um personagem super-rápido, que usa somente pistolas, ou um verdadeiro “arsenal ambulante” que, apesar de carregar uma escopeta e uma metralhadora, não pode usar habilidades de killstreaks. O sistema adotado pela Sledgehammer se mostra bastante versátil e estimula a realização de experimentos, o que traz como consequência um modo multiplayer mais divertido.
As opções de personalização também se mostram presentes no personagem que você controla durante as partidas multiplayer. Além de poder optar pelo gênero de seu soldado, o jogador tem à sua disposição uma grande variedade de itens, que incluem capacetes, roupas de baixo e até mesmo exoesqueletos com cores e detalhes únicos.
O número de opções disponíveis se expande aos poucos conforme você ganha caixas com equipamentos aleatórios — ou os compra diretamente na loja oficial da Activision. Mesmo que as opções disponíveis tenham caráter meramente estético, coletá-las acaba se mostrando estimulante, nem que seja somente pelo direito de poder falar que seu personagem não é igual a nenhum outro.
Vale notar que o sistema não é isento de algumas pequenas complicações. Como você está restrito a carregar no máximo 80 itens em seu inventário, vai ser preciso se livrar de alguns deles caso deseje adicionar novas opções à sua coleção. Embora isso seja compensado de alguma forma — tudo o que é descartado rende pontos de experiência —, não parece fazer muito sentido apostar em uma restrição desse tipo.

Multiplayer com fôlego renovado

Todos os elementos listados acima contribuem para tornar o multiplayer do game — que muitos consideram como a “alma” da série Call of Duty — uma experiência ainda mais recompensadora. A adoção de novos sistemas de exploração vertical faz com que não haja mais pontos “seguros” em um mapa, o que contribui para tornar a ação ainda mais dinâmica e balanceada.
O jogo não apresenta mais os famosos “corredores da morte”, visto que você sempre tem várias alternativas para chegar até praticamente qualquer ponto do cenário. Caso um inimigo esteja protegendo uma escadaria, por exemplo, provavelmente há uma janela por perto pela qual você pode pular e surpreendê-lo por trás — ou um caminho alternativo que vai chegar até aquele lugar por um ângulo diferente.
O fato de que dificilmente os cenários possuem qualquer espécie de área totalmente protegida contribui para acabar com o domínio dos famosos “campers”. Mesmo que o fato não deva agradar muito a quem usa rifles de longa distância — que perderam grande parte de sua efetividade —, no geral isso contribui para partidas mais equilibradas e rápidas.
Embora a estrela do multiplayer ainda continue sendo o modo Team Deatmatch e suas variações, a Sledgehammer consegue realizar algumas adições interessantes à fórmula. Opções como “Domination”, “Hardpoint” e “Capture the Flag” continuam funcionando bem e ganham mais dinâmica graças a cenários com condições variáveis — como uma onda tornar grande parte da área inexplorável — e às novas mecânicas de movimentação.
A maior novidade fica por conta de “Uplink”, espécie de mistura entre futebol e basquete na qual os dois times lutam pelo controle de um satélite que deve ser jogado no “gol” adversário. Como o jogador que está em posse do instrumento só pode realizar ataques físicos, sua sobrevivência depende de um bom trabalho de equipe, o que torna o modo especialmente divertido de se jogar com amigos.
Outra opção inédita é o modo “Exo Survival”, que força quatro jogadores a cooperarem para superar uma série de ondas de inimigos controlados pela inteligência artificial. A cada rodada, você tem a chance de mudar a classe de seu personagem (cada uma especializada em um tipo de armamento e com características diferentes de energia e movimentação) e investir em novos equipamentos.
Não há qualquer limite de tempo para o modo, o que significa que você pode passar horas lutando contra a inteligência artificial sem nunca ser vencido por ela. Infelizmente, isso logo entrega a falta de variação; embora traga alguns objetivos variados — como desarmar bombas espalhadas pelo cenário, por exemplo —, ele acaba sendo deixado de lado em pouco tempo por trazer poucos estímulos que justifiquem um retorno constante.
Durante nosso período de testes, os servidores de Advanced Warfare se mostraram estáveis e sempre cheios de jogadores. O único problema nesse sentido é o fato de que algumas das opções menos populares não contavam com muito público, situação que pode ser atribuída mais à comunidade de jogadores focada em modos clássicos do que a uma possível incompetência da Sledgehammer.

Dublagem poderia ser mais cuidadosa

Mesmo após a dublagem em português ter se tornado um padrão dos grandes lançamentos da indústria, ainda existem trabalhos que decepcionam um pouco nesse sentido. Infelizmente, Advanced Warfare se encaixa nessa categoria pela falta de um processo de direção cuidadoso.
A seleção de vozes é competente em um âmbito geral (mesmo que seja estranho ver Kevin Spacey com um tom tão distinto do ator real), embora algumas não agradem — como a do protagonista, que está longe de passar a mesma emoção transmitida por Troy Baker.
O aspecto que mais incomoda, no entanto, é a maneira como certos diálogos são proferidos. Fruto de uma clara falta de orientação, algumas cenas mostram personagens que falam em entonações muito distintas entre si, o que contribui para criar algumas situações estranhas — durante uma conversa em um ambiente calmo, não é incomum ver uma pessoa falando calmamente enquanto outra grita como se estivesse em meio a um conflito (situação que inexiste na dublagem original).
A falta de direção também contribui para aumentar o problema de falta de sincronia já presente no trabalho em inglês. Infelizmente, momentos em que a fala de um personagem corta a de outro de forma estranha são comuns, assim como cenas em que um dos protagonistas continua movendo a boca sem que nenhum som saia dela.

Vale a pena?

O novo ciclo de desenvolvimento de três anos concedido pela Activision torna Call of Duty: Advanced Warfare um dos melhores capítulos da série em anos recentes. Embora esteja longe de repetir a revolução vista na trilogia Modern Warfare, o game possui elementos frescos em quantidade suficiente para dar um novo fôlego a uma franquia que muitos consideravam decadente após o fraco Ghosts.
O uso de um cenário menos realista permitiu que a Sledgehammer criasse um jogo mais divertido e variado, que se aproxima muito mais de um filme de aventura com elementos de ficção científica do que uma nova tentativa de recriar “Falcão Negro em Perigo”. Com isso, o game não somente pode explorar elementos que fogem da realidade, como constrói uma trama que foge um pouco de alguns clichês vistos no passado.
Talvez o maior problema de Advanced Warfare seja o fato de que ele é uma sequência de uma franquia conhecida por sua fórmula bastante característica. Com isso, é difícil não sentir que em alguns quesitos o estúdio teve que se restringir sua criatividade, visto que não era possível deixar de lado certos elementos já conhecidos pelos fãs.
No entanto, esses pequenos deslizes não atrapalham em nada o ótimo trabalho desempenhado pela Sledgehammer. O título pode ser considerado o verdadeiro ponto de partida da série na nova geração de consoles e apaga o gosto amargo deixado pelo seu antecessor. Apresentando uma mistura boa entre elementos familiares e novidades, o título prova que ainda vai demorar um bom tempo até que Call of Duty deixe de ser um nome relevante para a indústria.

WWE 2K15


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Categoria:XBOX 360
Gênero:Luta
Ano de Lançamento:2014
Tamanho:8.16 GB
Idioma:Multilinguagem
Enviado por:Scofield5000
Descrição





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Através de uma nova parceria de co-desenvolvimento entre Visual Concepts e Yuke de, com foco na jogabilidade, melhorias visuais e de áudio, e marca novos modos de jogo, WWE 2K15 vai entregar o mais autêntico, completo e repleto de acção experiência WWE videogame até hoje.